Livros

Em Portugal José Moreira tem sido um constante divulgador do que se produz em Moçambique, para isso bem usando o Expresso. Só agora me chega um exemplar velho de um mês (e como envelhecem os jornais, encerrados em tão urgentes e fundamentais factos) onde refere, e elogia, “As Duas Sombras do Rio” de JPBC, que bem o merece. Mas não lhe deixo de detectar, ainda que ali subreptícia, a queda para a dicotomia, que não só nele grassa, a vertigem em opôr os dois escritores moçambicanos, brancos, beirenses, quarentões, uns “ai, eu gosto mais do...do que do..”. Pensamento bipolar, que empobrece.
E já agora, tanto nele como noutros, porquê tanta angústia com quem escreve “desconseguir”, numa língua que se desdobra em “desfazer”, “desmontar”, “desenraizar”, “desenrolar”? Que “desprazer” é esse? Será desconsideração? Ou desprezo? Ou apenas desafecto? Ou, afinal, desatenção? Goste-se ou não dos livros que não seja pelo “desconseguir” entender o que não é assim tanto “forçado exotismo linguístico” (Moreira dixit, friso).
Chega por agora, vou ler, Aquilino Ribeiro hoje, que estou em maré de exotismos.