A minha rua

A minha rua até hoje. Narrada há cinquenta anos

o desmaiado sol
deixa que renasça
o fim da tarde
buganvilias reluzem nas
profecias e mitos
sol
de ausencias
submarinas estrelas
de violencias e desejo

as silhuetas de barcos
desenham tragicas
viagens,
dragoes e anjos
a cores percorrem
o poente,
retratos antigos
renascem
vozes e poeiras
lanhos
no viço da raiva.

Da morte, a visao
Se veste de vida
Confundem-se de vida,
Confudem-se mares
E ilhas, amor e
Odio

O fogo
Sobre as ondas
Resiste
O saber da lingua
Invade
O corpo inteiro
Cerro os olhos,
Mordo os labios
E o mar estremece
.

(V. Lemos, Negra Azul, 1998)

posto por ele em 8 de janeiro 2004 | na rubrica Blog-in, Blog-out | comente