Schamba 2

Manihot esculenta:
"hoje tão comum nas terras africanas, não é indígena dali: é uma planta americana introduzida na África e na Ásia depois de descoberto o Novo Mundo. Tal foi a opinião de Roberto Brown, partilhada por Humboldt e reforçada modernamente por A. de Candolle (Origine de pl. cult., 39). A essas provas podemos acrescentar o silêncio significativo de alguns velhos autores portugueses. Almada não menciona a cultura de mandioca na Guiné, e por certo a não omitiria se ali existisse no seu tempo. Duarte Lopes, na relação de Pigafetta, não fala da existência da mandioca no Congo, dando aliás interessantissimas notícias sobre a introdução recente de algumas gramíneas. Isto prova que, se a planta já existia então em cultura, não era por certo vulgar e importante como hoje é. O padre João dos Santos, muito míudo na enumeração dos produtos vegetais, não a menciona na África oriental, por onde se vê que ali não era conhecida. É de notar que tanto Almada, como Duarte Lopes e fr. João dos Santos se referem ao que observaram nos fins do século XVI, muitos anos depois de ter sido descoberta a América e conhecida a mandioca, donde resulta que a cultura da nova planta americana, se não introduziu, ou pelo menos se não generalizou desde logo na África....Parece-me poder-se concluir da comparação destes textos, que a planta foi levada para a África e cultivada primeiramente em Angola, no fim do seculo XVI ou logo no principio do seguinte"
Isto são as falas do Conde de Ficalho, nas suas "Plantas Úteis da África Portuguesa" (Agência Geral das Colónias, 252), que me foram ofertadas pelo meu afilhado, bem haja essa jóia de pessoa
Hei-de voltar a estas matérias...