A Senhora Gorda

Seymour mandou que todos nós engraxássemos - sempre - os sapatos, independentemente do que os outros achem ou sejam. Sempre, e por causa da Senhora Gorda. A qual está sempre à escuta, como se sabe, como deveríamos saber. Os manos podem imaginá-la velha sentada, pejada de varizes, até cancerosa (porque imaginamos sempre a fealdade como doentia?), mas estão enganados, muito enganados.
Pois Seymour, sábio, avisa que ela, a Senhora Gorda, é Cristo, deus ele mesmo.
J.D., um amigo da família, e que me levou lá a casa, é-lhes muito querido. E apreciado. Talvez porque homem talentoso, se bem que esquivo.
(Salinger, Franny e Zooey, Relógio d’Água)