Porquê? Para quê?

Bem, ele não sei bem porque entro neste diário (vaidade? vaidade? mas de quê...?). Nem assim tanto para dizer, e tantos por aí a dizerem. Enfim, já a imaginar amigos e outros a resmungarem sento-me, à defesa, no “Porquê escrever estas páginas? Para que servem? ...é estúpido perguntar-se aos homens o motivo das suas acções e dos seus escritos”.
Mas alçar um destes, e que este, que quilate, para própria defesa também é de atrevido...assim como se fossemos colegas, não? Francamente, até a mim me apetece ciciar o “respeitinho, é muito bonito o respeitinho”. Até porque continuava ele “O que é você...? Em que categoria te incluis? Na dos idiotas ou na dos loucos? - Se te dessem a escolher, a tua vontade prefiriria a última condição”.
Ok, assumo a tal modéstia, que não o é, apenas a aparenta, é antes a arrogância do realismo. E, pronto, pronto, filio-me na condição outra.
(G. Flaubert, Novembro, 13, Cotovia)