Proler

10º número da Proler, a única revista cultural aqui. A salientar a capacidade de sobrevivência do grupo de Francisco Noa. Falta de patrocínios, falta de publicidade. É certo que a revista continua a oscilar entre páginas excessivamente académicas e outras bastante ligeiras, uma mistura por vezes pouco atraente e que desorienta alguns leitores. Mas vale...pelo esforço e pelo conteúdo.

Este número vale ainda pela entrevista dessassombrada de Ana Magaia, a decana (é ela que o reclama, corajosa!) das actrizes moçambicanas: o teatro está "moribundo", diz, exigindo uma escola de teatro. E não se safam os escritores. Ana Magaia no seu muito melhor.

E boa ideia, uma introdução à literatura oral, e ainda mais com a entrevista a Zacarias Mawai, o contador [boa notícia, a Promédia vai-lhe lançar um livro bilingue].

E ainda uma reportagem sobre as condições existentes para a actividade cultural em Maputo: "Todos os caminhos vão dar ao Franco" (Centro Cultural Franco-Moçambicano). Salientando a sua importância crucial nesta cidade e alertando para o facto de ser um polo para a internacionalização de artistas moçambicanos, nas artes plásticas e música, pelo apoio às suas apresentações no estrangeiro. Chama-se a isso cooperação cultural! [para bom entendedor...]
Pena é que não haja uma maior pormenorização dessas acções, o repórter tem que estar lá para isso.

Ponto final: não percebo como há tanto patrocínio para tanta coisa e não há publicidade que se chegue à Proler, que ainda são uns milhares de revistas a circular. Mas enfim, disso também nada percebo.

posto por ele em 8 de fevereiro 2004 | na rubrica Miretcele | comente

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